Junior Oliveira.
Movimento Surrealista.
O Surrealismo foi um movimento, iniciado nos anos de 1920 na literatura e artes plásticas. Reunia artistas anteriormente ligados ao Dadaísmo. O Dadaísmo; pintura de critica social, onde os artistas aplicavam o principio do ilogismo, da irracionalidade e da casualidade na criação artística. Já o surrealismo era fortemente influenciado pelos descobrimentos da Psicanálise, criada por Sigmund Freud. Os artistas tinham deixado de acreditar na realidade visível e procuravam uma realidade universal, uma surrealidade, uma sobre realidade.
As pesquisas da Psicanálise impulsionou os surrealistas para pesquisa e interpretações dos sonhos. Grande parte de nossa alma estava submersa nas profundezas do nosso inconsciente, e estas forças do pensamento e comportamento escondidas no inconsciente, era principal fonte de pesquisa da arte surrealista. Era no mundo do sonhos que os artistas iriam tentar desvendar o universo, o imaginário fantástico do subconsciente. Assim os Surrealista creditavam grande importância ao mundo dos sonhos, na fusão do sonho e realidade. A convicção de que no mundo invisível existiam muitas sensações que deveriam ser evocadas nos sonhos ou por estados alucinatórios e sugestivos de exploração, segundo o escritor André Breton ao publicar em 1920 o Manifesto surrealista “sonho e realidade aparentemente tão contrários, numa espécie de Superrealidade ( surrelidade) absoluta”. Assumindo assim a responsabilidade pelo nome que iria designar o movimento.
Os artista mais destacados do Surrealismo foram os pintores Salvador Dali ( 1904- 1989), Joan Miró ( 1893 – 1983), Max Ernst ( 1891 – 1976), René Magritte ( 1898- 1967) e Frida kahlo ( 1907- 1954), os escritores André Breton, Antoin Artaud (1896-1948), Paul Elard (1895-1952), Luiz Aragon (1897-1982), Benjamim Péret (1899-1959) e o Cineasta Luis Buenhel ( 1900-1983) Estes artistas pesquisavam um superrealidade na arte. O Surrealismo destacou-se nas artes por quadros, esculturas ou produções literárias que procuravam expressar o inconsciente dos artistas, tentando driblar as amarras do pensamento racional. Entre seus métodos de composição esta a escrita automática.
A escrita automática consistia em escrever livremente, quase sem pensar na composição e formatação da frase, tentando não se deixar levar pela amarras do inconsciente, libertando-se das censuras da razão e expressando-se criativamente atos não programados pelo cérebro. Um poder criador sem sentido imediato, escapando a vontade do autor.
Sobre alguns dos mais destacados expoentes do Surrealismo temos: o pintor Salvador Dali, que buscava em seus quadros criar um imaginário pictórico perturbador e angustiante, criando imagens completamente irreais mas com estilo bem realista. As telas de Dali pareciam visões oníricas repletas de signos e cifras inexplicáveis, afetando o observador da obra a um nível emocional situando-o em um mundo para além de uma lógica emocional e visual. Já o pintor Belga René Magritte questionou uma realidade contrária, servindo-se de princípios contrário aos de Salvador Dali. Magritte não aspirava conjurar elementos recalcados no inconsciente, mas sim descobrir o que há de estranho nele, seus quadros pretendiam nos trazer ou introduzir algo familiar naquilo que nos é estranho. Como exemplo a obra o Império das Luzes que nos deixa confusos e só após um certo tempo é que vemos, ou percebemos o que nos deixa confuso ao perceber o céu claro de uma dia ensolarado e a casa e a floresta numa iluminação noturna. O dia e a noite entrelaçada desvelando uma aparência da realidade. Questionando o porque da realidade ser assim e não de outra forma.
Uma outra vertente do Surrealismo podemos ver nas obras de Joan Miró e Max Ernst. Como nas escrita automática, técnica da literatura, eles praticavam um composição, um método, da arte improvisada, sem o realismo de Dali e Magritte, com uma construção simbólica, não figurativa, apresentavam cenas que desafiavam o senso comum. Miró e Ernst distanciavam o máximo possível do controle consciente na criação de seus quadros.
Joan Miró tentou banir de sua obra uma criação
consciente, tentou banir a razão, soltar o inconsciente. Trabalhando com espontaneidade Miró inventou signos para seus quadros que representava elemento da natureza, formatando uma estenográfica de pictogramas de formas geométricas e gotas, numa mistura de fatos, de fantasia as formas semi-abstratas de Miró aludem a objetos reais percebidos pelo pintor.
Já Max Ernst, Dadaísta e Surrealista apresentava em suas obras, elementos que despertam uma atenção mental, empregando títulos ambíguos como “A Preparação de Cola de Osso”, “A Pequena Glândula Lacrimal que Fala Tique-Taque” e “Duas Crianças Ameaçadas Por Um Rouxinol”. Ernst realizava desenho de aparelho fictícios, maquinetas e colagem dadaístas, a partir do contato com as teorias da Psicanálise. Começa desenhar em seus quadros imagens simbólicas, com espaços profundo, incertos e sugestivos, como no quadro “O Grande Bosque”. Estes são alguns dos representantes mais destacado do Surrealismo na pintura, visto que esta linguagem obteve maior sucesso e precisão quanto aos elementos e objetivos surrealista.
A pesquisa da profundeza da alma dos surrealista tinha necessariamente um perfil individualista e de introspecção. Neste sentido, individualista, os Surrealista não tinham normalmente abordagens politicas em seus quadros. As alterações politicas, os regimes autoritários em vários países da Europa não eram questões levantadas em suas obras. Tinham uma atitude de negação a este mundo exterior, voltando-se para dentro, para as questões da alma, dos sonhos.
Ações de limpeza artística levadas a cabo pelos nacionais-socialistas interrompe a produção artística na Alemanha. Produzem uma exposição chamada a “Arte Degenerada” em Munique 1937 lançado uma campanha difamatória contra os artistas modernos que se negam a pintar o realismo embelezador da doutrina nacional-socialista. Muitos artista emigraram para fora da Europa por sofrerem perseguições ou proibições de produzirem sua arte. Muitas obra destes artistas modernos de maior destaque foram banidas dos museus, destruídas ou vendidas para outros países. Grande parte destes artistas foram para os Estados Unidos e em 1940 Nova Iorque torna-se o novo ponto de encontro da arte Surrealista. No entanto anos 40 o movimento Surrealista não tem mais a força e o vigor criativo que apresentou nos anos 20 e 30, mas exerce influencia e positiva sobre o desenvolvimento artístico no período pós guerra.
Referênicas:
- Historia da Pintura – Anna – Carola Kraube – Tradução Ruth Correia e Miriam Tomás Medeiros. Ed. Konammann. 2001.
- Arte Comentada – da pré-história ao Pós-moderno – Carol Strickland e John Boswell – Tradução: Angela Lobo de Andrade. Ed. Ediouro Publicações – 2004

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