O que se pretende com este texto é discorrer acerca dos meios com os quais poderemos ver, perceber e analisar os elemento que constituem a ação dramática dentro do universo teatral. Sem no entanto tentar conceituar, mas apenas discorrer sobre algumas considerações acerca do tema.
Para Aristóteles “a ação é o elemento principal da Tragédia”, a “Tragédia e a imitação de uma ação séria”. A ação é a intenção motivadora, a força de onde se originam os acontecimentos. É a ação carregada de emoções de piedade e terror, ornada de sentimentos e acontecimentos cronologicamente dispostos e harmônicos durante o desenrolar da peça que da ritmo e intenção dramática a cena. E assim cria interesse no publico que a assisti despertando as emoções.
A tragédia é, pois, a imitação, “não de homens, mas de ações, da vida, da felicidade e da infelicidade (…) sendo o fim que se pretende alcançar, o resultado de certa maneira de agir, e não de uma maneira de ser” (Aristóteles, Poética, VI).
Aristóteles, de fato, pouco esclarece a respeito do assunto, apenas indica a fonte da ação como o resultado da relação entre o ÉTHOS (Ato, Ação) e a DIANOIA (Pensamento), onde estes dois elementos juntos constituem a ação da personagem. Para ele, a ação deve ser completa e dirigir-se da fortuna para o infortúnio em razão de um julgamento feito com base num erro por ignorância, cujo reconhecimento originaria a Catástrofe.
Ao passar do tempo muitos elementos foram incorporados as definições propostas por Aristóteles. Outros estudioso se dedicaram ao tema da ação, e novas definições e teorias surgem para tratar, ampliar, esclarecer e definir o significado do conceito da ação dramática.
Segundo Martin Esslin “Drama é ação, e esta ação imita e representa comportamentos”.
A partir desta afirmação de Martin Esslin podemos dizer que ação e uma motivação humana, ou que, a ação indica a motivação da cena. A vontade que se dirige a um determinado fim, a um objetivo. Que deve ser consciente dos meios empregados, da linguagem dramática, onde, por meio de intenções conflitante movimenta a cena. A ação como vontade de dirigir-se a um determinado resultado ou objetivo.
Ação: movimento e dialogo conflitante, entre os interesses das personagens de um determinado texto dramático.
Conflito: A força geradora onde nasce a vontade do personagem.
A Ação e o principal elemento do texto dramático, como vimos até então. No texto dramático temos a ação principal que é o centro do texto, a motivação principal do drama. Mas, temos também, as ações secundaria que fazem as cenas se desenrolarem, e despertarem o interesse da plateia pelo enredo, a fim de tornar o espetáculo motivador da atenção à espera do grande final, onde se executa a ação principal.
… A aparência e o aspecto do personagem são imediatamente transmitidos pelo corpo do ator, suas roupas e sua maquilagem. Os outros elementos visuais do drama, o quadro da ação, o ambiente no qual ela se desenrola, podem igualmente ser instantaneamente comunicados pelos cenários, a iluminação dos atores no palco.( ESSLIN, MARTIN , uma anatomia do drama. 1976 P.19)
Uma representação concreta de uma ação à medida que ela efetivamente se desenrola, é capaz de mostrar-nos vários aspectos simultâneos da mesma e também de transmitir, a um só tempo, vários níveis de ação e emoção. (ESSLIN, MARTIN; uma anatomia do drama, 1976 P 20)
Assim, para que se complete o fenômeno da ação dramática é necessário a presença de uma plateia. É esta plateia que irá aprovar ou não a representação. “ os atores… são capazes de sentir claramente a tensão de uma plateia do mesmo modo que sentirão o tédio…”( ESSLIN, MARTIN 1976, p).
O público irá dizer se as ações apresentadas na encenação são objetivas, se elas têm uma intenção clara. Segundo Martin Esslin “o drama é uma experiência coletiva” (e só se completa a partir do presença de um público o assisti.)
No entanto por mais que queiramos ser claro quanto a uma definição, a ação dramática é estranhamente difícil de definir. É um jogo cênico, um jogo emocional, que não esta nos atores e ou personagens, mas sim na resposta da plateia que assisti a encenação. É, quem sabe, a maneira que a plateia lê as ações do atores. Como ela interpreta os signos colocados em cena, como senti o movimento das ações. O jogo que encadeia o suspense e que entrelaça o enredo. É como o público é transportado para o interior da historia dos personagens. A maneira como os atores revelam os conflitos existentes no drama, o ritmo da cena. O nível de objetividade que são demonstrados. É a maneira como a personagem se transforma dentro da peça e a quantidade de envolvimento emocional deste público em relação a estas mudanças. A peça, o drama, deve em sua encenação, mostrar personagem que se modificam que buscam algo. As emoções devem ser potencialmente diversificadas, devem alternarem entre a calma românticas à excitação do suspense, ativando as sensações de quem assisti.
A ação no drama, desenvolvida através dos recurso cênicos de maquiagem, cenografia, iluminação, sonorização e técnicas de representação que estão a disposição dos atores; desperta, se as intenções das ações são objetivas, sensações e emoções diversas no público que a assisti. Ativa nossa faculdade cognitiva. Ativa e ou desperta nosso conhecimento ou reconhecimento através da arte. Revela em nós e a nós a consciência da existência humana. A ação no drama tem uma responsabilidade, um propósito. O propósito do conhecimento, da comparação e do reconhecimento, através da representação dramática. Traz a luz as experiências de coletividade, de crescimento histórico da humanidade.
Segundo Martin Esslin “ Em grego, a palavra Drama significa apenas ação, Drama é a ação mimética, uma ação que imita ou representa comportamentos humanos”. (Martin, Esslin 1999, p 16).
Junior Oliveira

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