Categoria: Iluminação

Posts sobre trabalhos relacionados a iluminação cênica.

  • Calculando Consumos – Watts – KVA – Ampéres.

     

    GLOSSÁRIO
    Corrente = “A” -Ampéres
    Potência = “W” -Watts
    Tensão = “V” -Volts

    Quando o consumo estiver em “WATTS” Para  KVA
    Passo 1 : Verificar o valor da potência ou consumo em Watts (W) de todo o equipamento que será conectado ou ligado .
    Passo 22 : Multiplicar o valor de consumo em Watts por 1.52 para obter o mesmo valor em VA;
    Passo 3 : Multiplique o valor encontrado no Passo 2 por 1.3 para adicionar 30% de segurança (folga)
    Obs: A letra “K” representa o valor 1000, assim 1 KVA eqüivale a 1000 VA.
    Exemplo:
    1 : Temos 120 Par64 : 120.000 Watts consumo
    2 :: Som : 70.000 Watts consumo
    Somar a quantidade de Watts encontrada = 190.000W Multiplicar o consumo Watts Por 1.52
    Ex > 190.000 x 1.52 = 288.80 – Consumo Total = 288.80KVA
    Multiplique o valor encontrado por 1.3 para adicionar 30% de segurança (folga)

    Ex > 288.80 x 1.3 = 375.44 – Consumo Total c/ Segurança 375.44KVA
    Temos um consumo de 375.44KVA total que , em trifásico ficará
    375.44 Dividido 3 = 125.14KVA .

    Precisamos no entanto de um Transformador Trifásico – 125.14KVA

    Quando o consumo estiver em “WATTS”  Para  AMPERES 

    Passo 1 : Verificar o valor da potência ou consumo em Watts (W) de todo o equipamento que será conectado ou ligado .
    Passo 22 : Dividir o valor de consumo em Watts pela Tensão para obter o valor em A (Amperes).
    Passo 3 : Multiplique o valor encontrado no Passo 2 por 1.3 para adicionar 30% de segurança (folga) .
    Exemplo:

    1 : Temos 120 Par64 : 120.000 Watts consumo
    2 :
    Som : 70.000 Watts consumo
    Somar a quantidade de Watts encontrada = 190.000W Dividir o consumo Watts 190.000 W pela Tensão 220 V .

    Ex > 190.000 Divididos 220v = 863 – Corrente Total = 863A (Amperes)
    Multiplique o valor encontrado por 1.3 para adicionar 30% de segurança (folga)

    Ex > 863 x 1.3 = 1121 – Corrente Total c/ Segurança 1121 A (Amperes)
    Temos um consumo de 1121 A total que , em trifásico ficará 1121 Dividido 3 = 373 A .

    Precisamos no entanto de 3 Fusíveis ou um disjuntor de 400 A (Amperes)

    Obs. Na maioria das ligações de sonorização e iluminação pedimos ao eletricista responsável 220 V

    Exemplo:
    1 – Em um quadro de distribuição 380v Trifásico temos que ligar Fase e Neutro para obtermos o 220V, sendo o 127V retirado do seu transformador dentro do seu MAIN POWER.
    2 – Em uma quadro de distribuição 220V Trifásico temos que ligar Fase e Fase para obtermos o 220V, sendo o 127V retirado do seu transformador dentro do seu MAIN POWER.

     

    Fonte: dicasdesomeluz.blogspot.com.br – 11/02/2013 – 17:23h

  • Método de Iluminar.

    José de Oliveira Júnior      

         O método mais comum de iluminar num palco é chamado de Sistema ou Método  de McCandless. Stanley McCandless escreveu sobre este método em 1932 no livro: UM Método de Iluminar o Palco. O método dele pode não ser um método definitivo, mas é um sistema bastante útil.

         O método McCandless pode ser descrito como um sistema de 3-pontos. São colocadas duas instalações de iluminação na frente do objeto (ator/Atriz) e uma instalação atrás.  As luzes dianteiras, direita e esquerda, ficam situadas a um ângulo de 45-grau do objeto (ator/Atriz) e a uma altura igual a um ângulo de 45-graus sobre o objeto (ator/Atriz). Estas posições fazem com que o objeto (ator/Atriz) pareça natural e tenha forma em 3-dimensões. As sombras causadas pelos ângulos dos refletores provêem da definição da forma do objeto, mas sem causar sombras profundas e escuras debaixo das sobrancelhas, nariz ou queixo. O local e o ângulo também permitem visibilidade quando o objeto (ator/Atriz) vira a cabeça de lado a lado. Cor e intensidade acrescentadas às luzes dianteiras proverão visibilidade e definição. McCandless recomendou usar uma cor quente em um e cor fria no outro assim as cores misturam entre si, e o aparecimento natural do contraste proverá definição. A terceira luz será colocada atrás e  ao alto, acima do objeto (ator/atriz) sem estar em cima diretamente ou ofuscar os olhos das pessoas na platéia.  A contraluz causa no objeto uma sensação de afastamento em relação a pano de fundo dando contorno ao ator/atriz  quando iluminado  na parte de trás da cabeça e topo dos ombros.  A cor da contra luz depende das intenções da cena ou espetáculo.

             É preciso de mais do que as três instalações,  a menos que seu objeto seja um orador que está em um pódio e nunca se move.

         Baseando-se nas instalações de iluminação e alturas do auditório, você deverá considerar a área coberta por um único grupo de três – pontos de instalações.  Então   você precisará de várias instalações colocadas uniformemente pelo palco, com intervalos regulares, para cobrir inteiramente a área utilizada. Isto representa a forma ideal de distribuição de equipamento no espaço.  Se você quiser mais de um cor deverá dobrar ou triplicar o número de refletores focalizado   na  área utilizada. Iluminação adicional será exigida para iluminar um fundo, cortina ou paisagem; e criar efeitos que realçam uma área específica ou ação que não será coberta pela “área” da luz geral, ampla. 

             Bom este foi um conceito muito usado, o das posições dos três pontos  proposta por McCandless . Na verdade ainda é  hoje em dia,  porém com um pouco mais de liberdade por parte dos  iluminadores. 

          Apartir das imagens abaixo tentarei ilustrar melhor este posições, separadamente, assim poderá ter melhor aproveitamento da luz que estará criando.

    Luz Frontal

    A imagem ao lado mostra um refletor na posição para luz frontal  no(a) ator/atriz. O ângulo para ser usado nesta posição deve ser entre 45º a 60º para ter melhor aproveitamento da luz. Tirando sombras que ficam em baixo do queixo, nos olhos e nariz, mas claro que isto depende da intenção da cena, não é uma verdade absoluta, mas uma orientação para se fazer uma boa iluminação

     

     

    A imagem (contra luz ) mostra um refletor para uma  contraluz. Tem como objetivo dar

    Contra luz

    profundidade ao objeto (ator/atriz) ou  a cena, dar contorno e dimensão e tirar   ou minimizar algumas sombras. O ângulo deve acima de 60º e não chegar a 90º. Se o ângulo for abaixo de 60º pode ofuscar as pessoas que estão assistindo e não criar o efeito desejado sobre o objeto iluminado ou parecer não ser uma  contraluz, mas efeito de sombra como veremos em outra figura. Chegando a 90º pode não ter o efeito de contraluz que é o de criar contorno e dimensão ao objeto

    Luz a Pino ou Zenital

      

     

     

    Esta outra imagem mostra um refletor para uma luz de  pino( Zenital ou Top Light) em relação ao objeto iluminado. Esta posição é muito usada para criar efeito sombrio, com sombras muito marcadas nos olhos, nariz, queixo e chão. Usa-se muito quando se quer mostrar e não revelar um objeto/ator.

    Luz Frontal de Efeito 

    As duas imagens, a primeira a esquerda e a outra a direita  mostram um refletor para luz frontal de efeito. O ângulo varia de 0º até 30º aproximadamente. Esta posição e usada muito para projetar a sombra do objeto ou ator/atriz, recurso usado para apresentações de teatro de sombra. Este efeito é muito usado também em peça infantis, como a sombra do atores projetada em uma floresta por

    Luz Frontal de Efeito Chão

    exemplo. Pode ser usada para delimitar espaço do ator/atriz, ou tirar totalmente a sombra do rosto. 

    A imagem  abaixo mostra um refletor para uma pontual ou foco. O objetivo desta luz é marcar, recortar um objeto ou ator/atriz como se fosse o zoom de uma câmera. Muito

    Luz Pontual – Foco

    usada em espetáculos de  teatro. o Ângulo varia de acordo com o efeito desejado. 

    A imagem  abaixo a direita mostra a luz de um refletor para luz lateral. A luz lateral pode ser simplesmente vinda de um lado apenas, como na figura, ou dupla com o feixe de luz vindo dos dois lados. Esta Posição lateral, Inicialmente, era essencialmente utilizada em espetáculo de dança, pois serve para delinear a forma do corpo dos bailarinos (as), mas hoje em dia está  sendo usada também em teatro para criar efeitos diversos. Normalmente são instaladas em torres laterais em cima do palco (mas fora da vista do público) e pode ser instalada do nível do palco até a uma altura de 3

    Luz Lateral

    metros.

              Bem estes são os posicionamentos usados normalmente e  como pode-se  ver tem um pouco do método de McCandless  e experiência  adquiridas a longo do exercício e pensar dos iluminadores para tentar melhorar o aproveitamento e as possibilidades dos equipamentos que surgem.

  • Iluminação Artificial – A Energia Elétrica

     JOSE DE OLIVEIRA JUNIOR 

             A historia da humanidade nos permiti concluir que ao longo do tempo fomos criando profissões para solucionar problemas que fizemos surgir através dos tempos, e aos poucos fomos denominando-as como são hoje: engenharia, arquitetura, medicina,  as de iluminadores, sonoplastas e cenógrafos, entre outras.

             A revolução industrial iniciada no séc. XVIII remodela as cidades européias criando os ambientes fabris.  Eram ambientes inadequados com pouca luminosidade. A jornada exaustiva das maquinas pesada e a dificuldade visual prejudicava o trabalho e os trabalhadores.  Nasce neste momento um novo ramo de atividade especializada denominada mais tarde de Engenharia da Iluminação. 

             Começa a sistematizar de forma cientifica o estudo da iluminação, o que para tanto, o advento do surgimento da energia elétrica contribui de forma expressiva. Os estudos de Charles François Du Fay  em 1733   que identificaram  duas forças na energia elétrica: uma da atração e outra da repulsão,  e mais tarde em 1750 estes estudos reelaborados por Benjamin Franklin,que  atribui sinais positivos e negativos para distinguir os dois tipos de cargas apresentados por  C F Du Fay.  Alessandro Volta, em 1800,  cria a partir das considerações de Du Fay e Benjamim,  a pilha voltaica ou bateria. Que  logo outros pesquisadores a  transformaram em fonte de corrente elétrica para aplicações práticas no ambientes urbanos. Nesta crescente onda de desenvolvimento, do séc. XIX surgi Thomas Edison, que em 1879, inventa a lâmpada incandescente.   A lâmpada de Thomas Edison consistia  em uma haste muito fina de carbono (carvão) inserida numa ampola de vidro onde havia sido formado um vácuo. Quando a corrente elétrica passava por esta haste aquecendo-a até quase o ponto de fusão ela passava a emitir luz.

             O séc. XIX foi marcado por um grande desenvolvimento científico tecnológico. As pesquisas a cerca da energia elétrica desenvolveram  estudos em áreas diversas. Vários pesquisadores surgem com novos estudos para servir a humanidade. Esta foi uma época  de  desenvolvimento tecnológico que  deixou contribuições como: interação entre eletricidade e magnetismo, a formação da teoria do circuito elétrico e o princípio da lei de Ohm (diferença de potencial volts – resistência elétrica – intensidade), indução magnética entre bobina – principio do transformador, experimentos eletromagnético, a existência de ondas eletromagnéticas, que anuncia que a própria luz é uma forma de eletromagnetismo, a invenção da primeira lâmpada comercial viável por Thomas Edison, sistemas de distribuição de energia elétrica e a implementação dos primeiros sistemas de iluminação urbana, entre outras. 

             No inicio do Séc. XX a Engenharia Elétrica é uma realidade. Está consolidada a profissão do Engenheiro Elétrico. E com o desenvolvimento da válvula, transistores e os circuitos integrados,  inicia-se outra etapa, de grande avanço, desta vez no  campo da eletrônica. Começa a diferenciar-se engenharia elétrica de potência da eletrônica. Inicia-se    estudos no campo da telecomunicação e da ciência da computação. Surgem os supercondutores que  trazem novas possibilidades, e estas novidades vão aos   poucos modelando a vida das cidades no inicio do XX.  Estava nascendo a cidade moderna, industrializada.

             Diante de tantas inovações na tecnologia a lâmpada de Thomas Edison evolui, surgem outras, de formas variadas, tecnologia mais avançadas, como as lâmpadas de tungstênio, lâmpadas de gases como as fluorescentes, como as de vapor de sódio e vapor de mercúrio e multivapores metálicos. Atualmente,  as lâmpadas de led (Light Emitting Diode), que traz como uma grande  novidade o baixíssimo consumo de energia.

    Lâmpada de Led.

             A engenharia da iluminação do séc. XIX   progrediu, se transformou  e conquistou outros espaços. A energia elétrica possibilitou enormes  avanços à humanidade.    A arte em todas a suas linguagens usufrui e se transforma a partir destes avanços. Junto com tantas descobertas tecnológicas a iluminação artificial sai  das ceras, dos gases, dos óleos e entra no mundo da energia elétrica.

           Nasce  a iluminação artificial no mundo da eletricidade que caminha e evolui para chegar ao modelo técnico que dispomos hoje em nossos dias. 

  • Teorias sobre Origem da Luz.

     

    Foto Junior OliveiraPara: Empédocles (490-435 a.C.) :

    defendia que a luz era uma substância fluida, transmitida pelo sol, e que por viajar tão depressa era impossível ser vista.

    Platão (428/v27 a.C. — 347 a.C.),: por sua vez, defendia que os olhos emitiam um raio visual que tocava o objeto. Só depois é que o objecto era visto. Como se os olhos fossem uma lanterna.

    Para Aristóteles. ( 382 a 332 a C): A luz é a actividade do que é transparente.

    O cientista árabe Alhazen (965-1039) contrapôs que se tínhamos de fechar as pálpebras ou desviar os olhos quando olhávamos para o sol então era porque algo entrava e não porque algo saía, como pretendia Platão. 

    Isacc Newton (1642-1727), descobriu que a luz visível podia ser dividida em raios monocromáticos, com direcções e cores diferentes, e que esses raios já não se podiam dividir mais. Defendia que a luz era composta por crepúsculos (aquilo a que hoje chamamos fotões) que podiam distinguir-se pela sua frequência. Mais tarde esta “intuição” veio a ser confirmada com a descoberta dos raios infravermelhos e ultravioletas. Descobriu-se que a luz é uma parte visível e muito pequena do espectro electromagnético.

    “O espectro eletromagnético é composto pelo conjunto de radiações que chegam à Terra emitidas pelo Sol, resultantes da combustão de gases nele existentes. Estas radiações podem ser produzidas artificialmente (vela, lâmpada, laser, rádio, gama, hertz etc.), divergindo apenas na frequência. Na parte visível do espectro essa diferença de frequência nota-se pela cor. A unidade de medida das frequências é o nanometro (nm) que corresponde a um milionésimo de milímetro.

    Durante muito tempo pensou-se que a luz se propagava por ondas. Ainda hoje se diz ondas electromagnéticas. No entanto diversas experiências provaram que era impossível propagar-se por ondas e não por partículas.”

    Só no século XIX James Clerk Maxwell (1831- 1879) descobriu, através de várias experiências com electricidade e magnetismo, que ambos os fenómenos se moviam à velocidade da luz (300.000 km por segundo) o que lhe permitiu concluir que a luz era igualmente uma onda electromagnética. Durante bastante tempo vingou um compromisso: a luz viaja em ondas mas ao atingir a matéria comporta-se como uma partícula.

    Max Planck (1898-1947) ao fazer diversas experiências com radiações de calor descobriu que a luz embatia na matéria em pequenas porções (a que chamou quanta), como balas disparadas de uma metralhadora…. (continua. rs)

     Autores: José Álvaro Moreira e Pedro Moreira Cabral

     

     

     

  • TEMPERATURA DE COR

    No instante que um ferreiro coloca uma peça de ferro no fogo,esta peça passa a comportar-se segundo a lei de Planck e vai adquirindo diferentes colorações na medida que sua temperatura aumenta. Na temperatura ambiente sua cor é escura,tal qual o ferro, mas será vermelha a 800 K, amarelada em 3.000 K, branca azulada em 5.000K.Sua cor será cada vez mais clara até atingir seu ponto de fusão.Podese então, estabelecer uma correlação entre a temperatura de uma fonte luminosa e sua cor, cuja energia do espectro varia segundo a temperatura de seu ponto de fusão. Por exemplo, uma lâmpada incandescente opera com temperaturas entre 2.700 K e 3.100 K, dependendo do tipo de lâmpada a ser escolhido. A temperatura da cor da lâmpada deve ser preferencialmente indicada no catálogo do fabricante.
    A observação da experiência acima indica que, quando aquecido o corpo negro(radiador integral) emite radiação na forma de um espectro contínuo. No caso de uma lâmpada incandescente, grande parte desta radiação é invisível, seja na forma de ultravioletas, seja na forma de calor (infravermelhos), isto é, apenas uma pequena porção está na faixa da radiação visível, motivo pelo qual o rendimento desta fonte luminosa é muito baixo. Quanto maior for a temperatura, maior será a energia produzida, sendo que a cor da luz está diretamente relacionada com a temperatura de trabalho (mais fria quanto maior for a temperatura).Um aspecto importante é que a temperatura da cor não pode ser empregada isoladamente e sim em conjunto com o IRC, mas independentemente deste aspecto, aceita-se que cores quentes vão até 3.000K, as cores neutras situam-se entre 3.000 e 4.000K e as cores frias acima deste último valor. As cores quentes são empregadas quando se deseja uma atmosfera íntima, sociável, pessoal e exclusiva (residências, bares, restaurantes, mostruários demercadorias);as cores frias são usadas quando a atmosfera deva ser formal,precisa, limpa (escritórios, recintos de fábricas). Seguindo esta mesma linha de raciocínio, conclui-se que uma iluminação usando cores quentes realça os vermelhos e seus derivados; ao passo que as cores frias, os azuis e seus derivados próximos. As cores neutras ficam entre as duas e são, em geral, empregadas emambientes comerciais.

     

  • A Arte e Ciência


    Arte e ciência: um namoro antigo

    A Arte é longa, a vida é curta. 
    (Hipócrates, apud Frederico Morais, 1998, p. 209)

    Ao longo da história das artes, podemos verificar diferentes interações entre arte e ciência. Enfocaremos principalmente a relação entre teatro e ciência, porque o teatro é uma linguagem artística que congrega várias outras artes, como a música, o cinema ou a pintura. Portanto, de certo modo, na medida em que refletimos sobre o teatro estaremos incluindo outras artes. Outra razão para relacionar a ciência ao teatro refere-se ao fato de que a ciência é em si dramática. A ciência possui teatralidade própria porque o exercício da atividade científica pode envolver grandes controvérsias, disputas, ambição, argumentação, contra-argumentação, enfim, todos os elementos para uma excelente peça dramatúrgica.

    Antes de nos debruçarmos sobre a relação teatro e ciência, vale a pena abordar, ainda que brevemente, relações entre ciência e tecnologia e outras modalidades de arte. A música, associada à ciência desde Pitágoras, atualmente guarda uma forte interação com a tecnologia, com a produção de sintetizadores e samplers que incrementam a multiplicação de inusitados sons em uma mesma composição musical e barateiam os custos de produção e reprodução. A relação entre música e tecnologia não apenas influencia a linguagem musical como também acarreta a discussão sobre novas questões relativas à produção musical e ao mercado, tais como a multiplicação das músicas e partituras via Internet e os direitos autorais.

    Nas artes plásticas a relação entre arte e ciência também é antiga, e nesse âmbito podemos citar o uso que os renascentistas fizeram da matemática. Os pintores da época aplicavam princípios da matemática para conferir ilusão de volume, textura e proporção harmoniosas no intuito de reproduzir as feições anatomicamente corretas, em uma tentativa de retratar fielmente o corpo humano. Em 1632, Rembrandt pintou seu famoso quadro Lição de anatomia. A combinação entre arte e anatomia era uma via de mão dupla, pois também os médicos recorriam aos artistas renascentistas, que registravam graficamente, e com especial precisão, as dissecações anatômicas. Se dermos um pulo no tempo e pensarmos em Escher (1898-1972), identificaremos que o pintor holandês utilizou princípios da geometria na busca de reproduzir a noção de infinito. Diferentemente dos pintores renascentistas, que aplicaram recursos da matemática para reproduzir um mundo à semelhança da realidade, Escher utilizou a geometria para representar um mundo fantástico, que somente poderá ser encontrado em sua instigante obra.

    Se pensamos na relação entre tecnologia e cinema, é possível afirmar que esta é uma arte que só foi possível pelo desenvolvimento de equipamentos tecnológicos que envolvem desde recursos fotográficos até sofisticados equipamentos de projeção atuais. A tecnologia na indústria cinematográfica influencia diretamente a linguagem da grande tela. A sonorização de imagens é um exemplo dessa influência, assim como o advento das cores, os efeitos visuais proporcionados pela computação gráfica ou a produção de telas que geram a ilusão de 360 graus. No campo da arte teatral, podemos verificar interações com a ciência e a tecnologia em diferentes níveis. Não apenas novas tecnologias foram incorporadas à cena teatral, mas também, com Bertolt Brecht, houve a pretensão de incorporar aspectos da metodologia científica aos métodos de criação teatral.

  • Dicas de Iluminação Cênica – Sistemas de Cores.

    SISTEMAS DE CORES

    Sistema aditivo:

     

    Quando falamos em cor, estamos na verdade falando de luz, pois, sem a luz não existiriam o que chamamos “cores”. Na natureza encontramos dois sistemas cromáticos: o sistema Aditivo e o sistema subtrativo. O sistema aditivo é aquele formado pelas três cores primárias da luz (Azul-violeta/vermelho e verde), decompostas a partir da luz branca solar que é a fonte natural de luz no planeta terra. As lâmpadas elétricas, velas e outros aparatos luminosos, nos fornecem iluminação sintética. Chama-se aditivo porque a adição das três cores primárias formam a luz branca. A decomposição das cores primárias da luz branca num prisma acontece devido às diferenças de comprimento de onda de cada cor, que vão do vermelho ao violeta. O olho humano consegue perceber cores que possuem comprimentos de onde que vão de 380 nm (nanômetros – que é a milionésima parte do milímetro) a 780 nm. Abaixo de 380 está a luz infravermelha e acima a emanação ultravioleta. Quando misturamos essas cores primárias entre si temos os seguintes resultados:

    Vermelho + azul = Magenta

    Vermelho + verde = Amarelo

    Verde + azul = Ciano

    Essas cores resultantes são chamadas de cores secundárias da luz e são ao mesmo tempo as cores primárias do sistema subtrativo.

    Sistema subtrativo:

    Todos os objetos do mundo possuem cor. Essa cor é formada pelos elementos naturais ou sintéticos que se encontram na sua camada externa. Os pigmentos podem também ser naturais ou sintéticos. Esses pigmentos em contato com as cores-luz vão absorver determinadas faixas de onda cromática e refletir outras, que serão captadas pelo olho humano. O sistema subtrativo leva esse nome tendo em vista que a mistura de suas cores primárias tendem ao preto, ou seja, ausência de luz. A mistura entre as cores primárias do sistema subtrativo (ciano, magenta e amarelo) resultam no seguinte:

    Ciano + magenta = azul

    Ciano + Amarelo = verde

    Amarelo + magenta = vermelho

    Note bem a beleza e a harmonia natural do sistema. As cores secundárias do sistema aditivo são as cores primárias do sistema subtrativo e as cores secundárias do sistema subtrativo são as cores primárias do sistema aditivo.

    O preto e o branco não são cientificamente consideradas cores. O branco é o resultado da soma de todos os comprimentos de onda e o preto é a ausência completa da luz, portanto da cor.

    O sistema aditivo é chamado também de sistema RGB (red, green e blue) e o sistema subtrativo de CMYK, onde “k” representa o preto que é adicionado aos pigmentos para obtenção de maior ou menor saturação, visto que, não encontramos pigmentos puros na natureza. O estudo das cores é fundamental em quase todas as áreas de conhecimento, por isso mesmo, vale a pena começar já!

    Texto do Iluminador Valmir Perez 

  • Calculando os Ângulos de Abertura

     

    Durante minhas passagens por teatros e espaços que possuem estruturas de
    iluminação, tenho encontrado diversas vezes equipamentos que foram adquiridos e
    instalados, sem nenhum a preocupação com os resultados desses equipamentos quanto
    às áreas de incidência luminosa no palco.
    Isso se dá também muitas vezes quando companhias alugam equipamentos para seus
    espetáculos.
    A que se deve isso?

    Pois bem , vamos entender porque os fabricantes apresentam em seus catálogos e
    manuais, os ângulos “beam ” e ” field” de seus equipamentos.
    Ângulo de abertura beam é aquele que proporcionará a menor área de focagem desse
    equipamento com seus respectivos jogos de lentes ou ” lentes solitárias” .
    Já o ângulo field, será aquele que proporcionará o maior ângulo de abertura, ou seja,
    uma maior área de incidência luminosa.
    Por isso mesmo, temos que antecipadamente, saber qual a área a ser iluminada por
    esses ângulos e seus intermediários, pois, se comprarmos ou locarmos um
    equipamento cujos ângulos não forem compatíveis com as distâncias entre varas e
    palco, poderemos ter sérios problemas em nossas criações.
    Esse cálculo é bem simples, basta termos em mão a distância entre o equipamento e o
    palco ou cenários que estarem os utilizando. Tendo isso, fica fácil agente calcular quais
    as áreas menores e maiores de incidência da luz.

    A fórmula é a seguint e:

    D = 2 x d x tg(a/ 2)

    onde D é o diâmetro em metros da área projetada, d é a distância do artefato
    ( equipamento) ao plano de incidência da luz e a o ângulo beam ou field.
    Vamos supor que eu esteja utilizando um elipsoidal de abertura beam 20 graus e
    abertura field 50 graus, num a distância de 15 metros da rotunda ou ciclorama.
    Para o exemplo acim a teremos então:

    Dbeam = 2 x 15 x t g ( 20/ 2) = 5,29m
    Dfield = 2 x 15 x t g ( 50/ 2) = 13,99m

    Com esses resultados em mãos podemos ter uma idéia do comportamento da
    iluminação com mais exatidão. O que nos permite comprarmos ou locarmos
    equipamentos adequados.

  • A Energia Eletrica para A Iluminação

    A Energia Eletrica para A Iluminação

    Comparando com a época que a iluminação artificial começou a ser utilizada até os dias atuais, muita coisa mudou. Foi constatada uma enorme evolução na indústria da iluminação no séc. XX. A primeira lâmpada comercial criada por Thomas Edison, aos poucos foi tomando posição na vida das pessoas da época.
    Houve resistência à novidade, pois já era comum o uso de lampiões a gases e vapores em residências,  acreditava-se que estes eram suficientes e atendiam as necessidades do mundo. E ao contrario do que se pensa  já havia no fim XIX um sistema de iluminação publica: as Lâmpadas de Arco, que eram compostas por dois eletrodos de carvão por onde passava uma descarga elétrica que produzia uma luz intensa e branca. Esta lâmpada era também muito utilizada em navios para auxiliar na navegação. Contudo o grande problema desta lâmpada era a grande quantidade de luz produzida, o que inviabilizava sua instalação em ambientes residenciais e comerciais. 
    Portanto a primeira lâmpada disponível para uso residencial foi a de Thomas Edison, que produzia uma luz amarelada e fraca como a de uma vela, foi considerada a primeira lâmpada comercialmente viável. 

    No Séc. XX toda a movimentação de transformação da linguagem teatral a partir da revitalização da teatralidade, gerou uma permanente busca por inovações no fazer técnico teatral.   O aperfeiçoamento da magia e ilusão da cena, a construção imagética do espetáculo estava se transformando, a  iluminação iria se aliar às descobertas da cenografia para ocupar  o espaço cênico  

    Na Europa da virada industrial, onde as cidades e seus teatros foram transformados pela luz elétrica, e os  artistas do final do século XIX, haviam acompanhado toda esta evolução,  trabalhando  nos importantes centros Europeus, viram de perto toda a potencialidade desta chama revolucionária que entrava para o palco como um divisor de águas. 
    A lâmpada elétrica de alta potencia (1000wats) introduzida em 1930, aliada as lei da física óptica com lentes de vidro fez nascer equipamentos altamente sofisticados para a época, enormes mudanças aconteceram, os cenários reais comuns em apresentações nos palácios e jardins foram substituídos por outros especialmente construídos para a cena, o palco foi inundado por magia, truques e recursos ilusionistas surpreendentes que excitaram a imaginação das pessoas que assistiam os espetáculos.
    O desenho de luz cênico com sua capacidade de atmosferizar, marcar, isolar, recortar, criar forma e volume ao ator e a cenografia, faz desenvolver a tecnologia operacional da iluminação cênica.

    A iluminação  torna-se uma realidade, uma  parceria ideal para, iludir, emocionar e  movimentar a cena.   
     Júnior oliveira 
  • Luz cega, Porque não sabe ver

          Apesar das inovações de equipamentos e das alianças comas tecnologias digitais, penso que a iluminação cênica chegou num limite e não faz senão repetir o que os olhos já cansaram de ver, sobretudo no que diz respeito ao palco italiano. Persistem ainda os conceitos herdados da pintura, as sugestões da arquitetura, da fotografia e do cinema, em termos de composição visual e de luz vinculada à estrutura narrativa, à câmera, ao discurso da imagem e da literatura. Há muitos espetáculos em que a luz é entendida como ilustração de alguma coisa ouentão como recurso de coesão do espetáculo, como se fosse de fato um editor. Os abusos da cor, das mutações, dos efeitos criados em função do olhar externo, têm feito da luz cênica um espetáculo à parte, um setor autônomo e separado da produção, entregue à responsabilidade de designers com suas idéias, leituras e interpretações sobre a cena. Por mais que se busque integrar a luz à cena, ainda resulta numa colagem, uma re-leitura, numa sobreposição de uma coisa à outra. Não é uma luz que troca matéria, energia e informação com a cena, em tempo real, a partir daquilo que a cena traz de vivo, através de si mesma. Será esse o papel da luz no teatro? Um artifício para produzir ilusões? Para manipular a informação visual e controlar o olhar externo? Tenho minhas dúvidas. Acho que tudo isso provém de umconceito de que teatro é produto (para não dizer mercadoria) com embalagem, seguindo as tendências da moda, os mais sofisticados meios de produção, a busca de excelência técnica para melhor atender o freguês. Isso pode ser “iluminação”, um meio artificial desenvolvido para os mais diversos fins, a exemplo da iluminação pública, de museus, fachadas, monumentos, hospitais, shoppings, etc., mas definitivamente não tem nada a ver com a conexão luz-cena. A cena é evolutiva, inconstante, viva, orgânica. Cada movimento minúsculo do ator inaugura um novo tipo de espacialidade, subtrai sombras e instala brilhos nas superfícies visuais do corpo, cria pontos de absorção e reflexão diferentes do estado do corpo há um milésimo de segundo atrás. Tempo e espaço tornam-se vivos, em presença da percepção externa. A luz não é um arranjo pré-estabelecido, morto, estático, que acompanha a cena de tempos em tempos, de acordo com as chamadas “mutações” (há montagens que fazem questão de dizer que possuem centenas de mutações (!), como se isso fosse o suficiente para justificar o estado vivo da luz). De fato, as mutações dão dinamismo ao espetáculo, tornando-o vivo. Mas não estamos nos referindo ao espetáculo vivo, mas às cenas vivas. Não há corpo vivo sem órgão vivo. A luz é um organismo vivo, composto de radiações eletromagnéticas e comprimentos de onda que “dialogam” com os corpos vivos da cena.O teatro pós-dramático (cf. Lehmann, 2007), ao falar de uma dramaturgia pós-dramática e conseqüentemente de uma cena pós-dramática, talvez sirva de referência para um novo conceito de luz cênica, não mais baseado na luz pictórica e cinematográfica do teatro dramático – profundamente influenciadas pelas vanguardas do século XX, notadamente o expressionismo – mas num conceito mais simples de que luz e cena caminham juntas, de modo co-evolutivo. Em outras palavras: a luz é a cena, está na cena, confunde-se com ela. Trata-se, pois, de um componente invisível – exatamente o contrário do que se tem visto na prática –, que acompanha o fluxo da unidade dramática viva.

    Texto de: Roberto Gil de Camargo.